REDES SOCIAIS E FACT-CHECKING EM LADOS OPOSTOS NA ERA DAS FAKE NEWS
- Grupo 4
- 9 de nov. de 2020
- 2 min de leitura
Ao mesmo tempo que internautas são constantemente manipulados por notícias falsas, empresas de verificação de fatos entram de vez no campo de batalha da informação
As fake news não são mais novidade para a sociedade. Em um meio cada vez mais virtualizado, elas habitam cotidianamente as mídias sociais e provocam efeitos devastadores na vida de boa parte da população que é facilmente persuadida por toda uma rede de inteligência artificial e ações mecanizadas. Na tentativa de reverter tal situação, agências de fact-checking — combate à desinformação e identificação do que é verdadeiro ou falso — surgiram para fazer frente às notícias falsas ao alertar sobre a nocividade existente dentro da internet.
As redes sociais são o ambiente de preferência para a disseminação das fake news. Por meio dos algoritmos, basta apenas um compartilhamento para aquela mentira virar verdadeira, já que inúmeras pessoas a recebem como fato sem verificar a fonte ou credibilidade. Segundo a pesquisa desta reportagem, num grupo de 117 pessoas, 37% dos usuários utilizam WhatsApp e Facebook, não à toa, os principais aplicativos de propagação de conteúdo falso segundo levantamento da Universidade de Oxford. São os casos da operadora de caixa Mariane Gonçalves, de 30 anos, e do publicitário Adailton Vitorino, de 50 anos. Apesar da diferença de idade, ambos dizem ter dificuldade em identificar uma notícia falsa devido à similaridade do material divulgado com o oficial.
Mesmo com o auxílio de agências de fact-checking, usuários das plataformas procuram ser cada vez mais cuidadosos com o que compartilham. “Hoje em dia temos que duvidar de qualquer notícia ainda mais não sabendo a fonte. Não compartilho nada que não sei a origem”, conta Adailton. Assim como o publicitário, Mariane procura em grupos e páginas de jornal para ter certeza de que a notícia é verdadeira ou não. “É bem difícil ter certeza de quando é verdadeira”, diz.

Dados da pesquisa realizada – Gráfico: grupo 4.
No campo religioso, por exemplo, a realidade não é diferente, tendo em vista que o poder de influência das religiões é enorme a ponto de políticos aproveitarem da devoção para influenciar adeptos com fake news. Para frear a pandemia de desinformação no âmbito da fé, o Coletivo Bereia trabalha na checagem das notícias de cunho religioso em prol da qualificação da informação. Para Bruno Cidadão, editor-assistente do Bereia, a criação do órgão foi mais que necessária em razão do número elevado de fake news nesse nicho. “O que se havia percebido é que existia muita disseminação de notícias falsas. O Bereia existe justamente para fazer esse enfrentamento, para levar criticidade, o outro lado, as etiquetas e as orientações de leitura aos nossos leitores”, declara.
Embora o WhatsApp tenha participação direta na propagação de conteúdo falso, o Bereia alerta certos usuários por meio dele. “O principal cujo nós temos comentado mais é o nosso WhatsApp. Porque as pessoas recebem muito da sua desinformação, que circula em grupos e afins pelo próprio WhatsApp”, comenta o editor-assistente do Coletivo. Além disso, Bruno ressalta o reconhecimento do trabalho ao receber, constantemente, mensagens positivas nas mídias sociais da instituição.
Segue abaixo entrevista com Bruno Cidadão:
Por: Camyla Lima, João Scalercio, Lucas Ribeiro, Matheus Maia e Mariana Sabino




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