A pandemia da desinformação
- Grupo 8
- 4 de dez. de 2020
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Em meio à pandemia do coronavírus, a desinformação agrava a saúde pública e reforça a importância da Rede Nacional de Combate à Desinformação.
Com o crescente avanço das redes sociais, tal como o aumento no alcance e na relevância de seus usuários, houve, também, um aumento significativo na propagação de notícias falsas, enganosas e sensacionalistas, popularmente conhecidas como Fake News. Visando combater o processo de desinformação geral, a RNCD (Rede Nacional de Combate a Desinformação) foi criada e apresentada à população cibernética como um portal de Fact Checking, ou seja, um portal criado para apurar o grau de verdade das informações presentes em notícias, boatos espalhados nas redes sociais e em falas das autoridades do país. O programa reúne cerca de 30 projetos individuais que trabalham, em conjunto, para combater desinformações nas áreas da saúde, política, meio ambiente, ciência e tecnologia, promovendo uma espécie de comunicação educativa e elucidativa àqueles que buscam saber.
O surto do novo vírus SARS-CoV-2 (ou COVID-19, como é popularmente conhecido) teve seu crescimento paralelo ao de uma grande quantidade dessas falsas informações sobre a doença, especialmente encontradas nas mais populares redes sociais, como Twitter e Facebook. A propagação de informações enganosas sobre o vírus foi tão significativa que até mesmo levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a divulgar um alerta sobre a tal “infodemia” em andamento, categorizada como uma superabundância de informações — que, na maioria das vezes, são desinformações — durante a pandemia, tornando a busca por fontes confiáveis ainda mais difícil.
A ignorância geral sobre a doença foi proliferada amplamente no espaço cibernético — desde a venda das tão famosas falsas "curas", como gargarejar com limão e água com sal, até as falsas teorias da conspiração que creem que o vírus foi criado em um laboratório em Wuhan, na China, pelo governo local, como forma de controlar o crescimento populacional do país. Inúmeras notícias falsas sobre o vírus também foram veementemente divulgadas por figuras políticas, como o presidente estadunidense Donald Trump e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que falsamente alegaram que a hidroxicloroquina está "funcionando em todos os lugares" como um tratamento contra a doença.
Entretanto, as desinformações não se limitam às notícias que são obviamente verdadeiras ou falsas, o que amplia o escopo do problema. Por exemplo, embora os danos e benefícios da hidroxicloroquina como um tratamento potencial estejam de fato sendo estudados, atualmente não há consenso científico sobre sua eficácia.
Como apontado anteriormente, a era em que vivemos é a era da tecnologia, regada de informações e com conteúdo 24 horas na palma de nossas mãos. Entretanto, nem sempre essas informações que são repassadas são verídicas — e é aí que entra o papel de portais de fact-checking. Responsáveis por impedir a divulgação em massa das Fake News, agentes importantes na erradicação de qualquer mito ou boato compartilhado, deixam sempre bem claro que é de suma importância checar a veracidade da notícia antes de compartilhá-la em grande escala, principalmente quando tratamos de um assunto tão sensível como uma doença, visto que desinformações podem ser igualmente prejudiciais à saúde de muitos.

Imagem: Reprodução
No Facebook, inúmeras publicações massivamente compartilhadas alegam, por exemplo, que o uso de máscaras é prejudicial à saúde, dado que elas supostamente criam um cultivo agradável para bactérias, provocando hipercapnia e gerando acidose, fazendo com que o usuário desenvolva câncer. Profissionais da saúde, entretanto, informam que embora a primeira informação seja verdadeira, mas facilmente evitada com a adoção de hábitos de higiene, o restante é mentira, sem qualquer comprovação científica. Além disso, também apontam enfaticamente que o uso de máscaras é extremamente importante, ainda que uma vacina comece a entrar em circulação.
"Não é uma atitude muito inteligente negligenciar o uso de máscaras", pontua o infectologista Daniel Junger. "Usar máscara salva vidas. Usar máscara é um exercício de cidadania, porque quando eu uso máscara de tecido, que retém nossos vapores respiratórios exalados, nossas gotículas respiratórias, eu estou exercendo minha cidadania respeitando o direito do outro, de não se infectar caso eu esteja assintomático", continuou Quando questionado sobre os comentários comumente usados para justificar o não-uso da máscara, o especialista disse: "A máscara é a única medida barata, com 99% de eficácia e sem efeitos colaterais”
Daniel Junger, infectologista formado em medicina pela Universidade Federal da Paraíba.
Entrevistado pela equipe de reportagem, Sidcley Lira, um dos produtores do projeto COVID-19 DivulgAÇÃO Científica [ http://coronavirusdc.com.br/ ], informou o porquê de o Brasil ter um número tão massivo de Fake News circulando, juntamente com os Estados Unidos e a Índia. "Existem vários fatores que influenciam. Se formos observar que o atual governo, de Jair Bolsonaro, não aderiu ao compromisso de não difundir desinformação durante a pandemia, que foi um documento que foi assinado por 132 países e autoridades no mundo, a gente percebe alguns indícios. Na América Latina, somente o Brasil ficou fora", afirma o produtor. "Além disso, a produção de todo tipo de desinformação e notícias falsas tem vários interesses envolvidos: econômicos, políticos e sociais. Nos bastidores, sempre tem alguém ganhando alguma coisa com a disseminação de Fake News e desinformação. Na minha opinião, isso impulsiona, cada vez mais, a criação e divulgação de notícias falsas aqui no Brasil".
Sidcley Lira, diretor do projeto COVID-19 DivulgAÇÃO científica
Com isso, é possível concluir que, assim como devemos fazer nossa parte para impedir a disseminação do vírus, também devemos agir para impedir a proliferação de notícias falsas, sensacionalistas e enganosas. Basta acessar portais criados para desmentir Fake News e confirmar a veracidade das informações antes de divulgá-las pelo mundo cibernético, garantindo uma comunicação transparente e educativa.
Por: Vinicius Alves, Guilherme Araújo, Maria Clara Lisboa e Breno Monteiro




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