O risco à democracia na era da informação: Como a manipulação de dados na internet pode influenciar
- Grupo 7
- 4 de dez. de 2020
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Com a globalização e o advento do ciberespaço, estudos afirmam que mais da metade da população está conectada na internet, porém, muitos sentem medo e insegurança ao não terem domínio do próprio conhecimento nesse espaço virtual

Segundo dados referentes a um estudo da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2019, mais da metade da população mundial está conectada à internet, ou seja, são 4,1 bilhões de pessoas nessa rede. Vale ressaltar como a sociedade se modernizou em meados do século 20, a partir da terceira revolução industrial que possibilitou a expansão da era da informação. Além do mais, essa era proporcionou os avanços tecnológicos e reverberou a criação do ciberespaço, consequentemente influenciando um novo campo de comunicação, visto que há uma grande parcela da população conectada na internet juntamente nas redes sociais.
Entenda sobre a proporção da internet e as redes sociais mais usadas no Brasil em 2019:

Estabelecer que a era da informação viabilizou aspectos positivos é fundamental, de fato, não existem mais barreiras geográficas para se comunicar entre indivíduos, visto que há um espaço em escala global para realizar esse feito. Ações como pesquisar, trocar mensagens ou conversar, postar fotos, jogar, estudar entre diversas atividades capazes de serem feitas com à internet, são as características positivas dessa modernidade na sociedade. Entretanto, percebe-se uma insegurança ou receio da sensação de estar sendo vigiado, como também, existe uma manipulação de forma a influenciar certo comportamento no usuário. Luana da Silva Chaves, de 19 anos, já sentiu e ainda sente essa preocupação toda vez que utiliza alguma rede social.
A estudante de Sistemas de Informação da UniRio relatou o medo constante de estar sendo vigiada quando faz alguma pesquisa, sobre estudos envolvendo a faculdade, na internet. Ela já percebeu claramente a presença de um algoritmo que é baseado em suas pesquisas, dado ao motivo do surgimento de anúncios e notícias aleatórias sempre que utiliza esse meio para estudos ou no tempo livre. “Eu sinto que o Instagram é a rede que mais me vigia, até fico meio insegura de usar às vezes, por causa da quantidade de anúncios que são parecidos com coisas que nem pesquisei ainda”, disse Luana. A universitária da UniRio ainda acrescentou sobre como a rede social “Tik Tok” manipula determinados tópicos, fazendo com que ela só tenha acesso a limitados conteúdos, sendo assim, demarcando a sua participação na rede e influenciando negativamente em seu comportamento.
“São vários tipos de manipulação de dados e de informações que acontecem na internet”, especificou Luis Guilherme Julião, professor e especialista sobre Jornalismo de dados. O professor explicou que pode haver um programa ou um protocolo para realizar essa manipulação de dados, e, ainda relatou como esse mapeamento, para saber a preferência de cada usuário, já é uma questão que sempre aconteceu, pelo motivo de indicar o conteúdo parecido com o que é consumido por cada usuário. Com isso, existem vários níveis de manipulação, sendo o mais simples, como a criação de um dado sem nenhum nexo, até o mais complexo, traçando um recorte de dados para mexer nas suas informações, logo há uma percepção totalmente diferente da realidade.
Considerando a existência de uma sociedade democrática, por certo cada um possui sua liberdade individual, e ao analisar o perigo dessa manipulação dos dados pelas empresas, nota-se o domínio e a imposição de um limite de barreiras na experiência virtual de cada pessoa. “É um risco para a democracia, a partir do momento em que há uma tentativa de prender o usuário, aumentando o tempo de uso nas plataformas, com isso gerando um vício, como também a manipulação da opinião pública”, declarou o especialista de Jornalismo de dados.
O documentário “O Dilema das Redes Sociais” da Netflix aborda muito o tema da manipulação de dados e como isso pode prejudicar uma pessoa socialmente, por causa dos assuntos modificados ou inventados, e também por indicar matérias que são somente do interesse do próprio usuário. Isso acaba se tornando um problema, pois ao mostrar somente o que o algoritmo acha correto, os usuários acabam entrando em uma bolha social, não sendo estimulados a buscar opiniões diversas e com isso levando ao extremismo, algo que fere a democracia. Segundo o jornalista Guilherme Julião, essa manipulação serve principalmente para modificar a opinião pública e o que ele mais alerta é a respeito dos links recebidos pelas diversas plataformas, pois alguns são disfarçados de matérias, mesclando dados verdadeiros com falsos.

Documentário da Netflix: “O Dilema das Redes Sociais”. (Foto: Netflix / Reprodução: Internet)
Algumas empresas já adotam medidas para proteger os dados de seus usuários, como “Facebook” e “WhatsApp” que têm investido em suas plataformas determinadas informações para conscientizar a população sobre notícias compartilhadas diversas vezes e alertando as pessoas para pesquisarem sobre o fundamento delas. O WhatsApp, por exemplo, começou a assinalar e limitar as mensagens que são compartilhadas, com o objetivo de evitar notícias manipuladas.
Em virtude dos fatos mencionados, fica evidente que a manipulação de dados é um risco à democracia, podendo prejudicar a vida de uma pessoa com suas informações espalhadas pelas redes e pode atrapalhar o funcionamento de uma sociedade civilizada por só disseminar um tipo de temática para determinado usuário. Portanto, cabe a cada pessoa ter um olhar mais crítico sobre o que se vê na internet e procurar diversas informações, para assim o algoritmo não mostrar somente um tipo de assunto, e com isso contribuir para uma sociedade mais democrática, saudável e com uma visão mais abrangente sobre vários assuntos.
Por Maria Guilhermina, Matheus Fagundes e Pedro Amorim




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